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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Exposição | A Deus


Exposição "A DEUS"

Desenho / Instalação de Mónica CID

14 Maio a 31 de Julho

Sala de Exposições da Biblioteca FCT/UNL

Inauguração: 14 Maio às 17:00h



Há doze anos que Mónica Cid (Lisboa, 1973) cria diários gráficos. Doze anos a observar o quotidiano, as pessoas que por ela passam, os seus movimentos, os seus gestos. Uma vivência pessoal passada a desenho e transformada em algo de belo e mágico. Nesta exposição, Cid converte os seus livros em esculturas: figuras que saem das folhas, que dialogam entre si, que interpelam os desenhos que continuam planos.
Se fosse um livro, esta exposição começaria assim: “Uma linha, cansada de ser linha, abandona o caderno onde estava presa e transforma-se na silhueta de um homem em fuga. O caderno agora vazio transforma-se numa parede branca, à espera de ser riscada.”
Tudo se inicia num bloco de desenhos. Um bloco em branco que sai à rua, que se deita na mesa de um café e que aguarda que a mão de quem o segura comece os seus movimentos. Uma folha que deseja a caneta, que anseia pelo momento em que aquela lhe toca pela primeira vez e que a linha nasce. Quando a acção se inicia, os movimentos são tão rápidos que o caderno nem consegue perceber o que está a ser desenhado. A linha transforma-se numa senhora sentada, num rosto de um homem, numa mãe que leva uma criança pela mão... Por vezes, são frases, notas ou ideias que surgem.
Os gestos dos corpos das pessoas que passam pelo caderno são transpostos para as folhas, como se a mão que desenha tornasse seus esses mesmos movimentos e os transformasse em linhas. A fluidez da linha é adversa do pensamento. Estas não são linhas pensantes, mas linhas de acção, linhas em movimento, linhas que seguem olhos. Os desenhos organizam-se de forma despreocupada na folha. Não há neste acto de desenhar um cuidado com a composição dos elementos na folha. A folha enche-se instintivamente num processo de descoberta.
O caderno, cansado de ser riscado, acaba o seu dia no atelier e é aí que o real do quotidiano se transforma num mundo inventado. É aí que a linha que desenha se transfigura em linha que esculpe. Os desenhos saem das folhas à procura de uma nova vida. Antes desenhos com linhas agora esculturas de linhas. A escultura reinventa o desenho, reimagina-o, transporta-o de volta a um mundo físico, mas desta vez não para a trivialidade do dia-a-dia mas para um lugar fantasiado e encantador. Um mundo que nos faz sorrir, que nos leva para um imaginário mágico dos livros de crianças, dos livros que já foram escritos e que a nossa memória evoca, mas também dos livros que ainda não foram escritos e que a imaginação de cada espectador compõe.
Desenho feito escultura e escultura feita de desenho. Os dois gestuais concentrados numa exploração da linha, da figura e do movimento.
                                                                                                                                           Filipa Oliveira






2 comentários:

  1. São traços sentidos que falam, que contam mais as histórias da vida do que um mero instante no quotidiano. Falam da beleza do momento presente e da dinâmica da vida que gira e ciranda ao nosso redor num constante e perpétuo movimento que nos abraça e arrasta . No traço o pulsar da vida!

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  2. Obrigada Fernando, pelas lindas palavras***

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