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sábado, 23 de janeiro de 2016

Exposição | Tribos

Inauguração
14 Janeiro | Biblioteca da FCT/UNL | 16h00

Abertura ao Público
15 de Janeiro a 14 de Abril | 09h00 - 20h00 | Segunda a Sexta

Sete anos depois de uma notável intervenção na Biblioteca da FCT-NOVA, no Campus de Caparica, Bruno Lavos Marques volta a surpreender e a arriscar, com uma arrojada instalação de grandes dimensões no interior e no exterior da Biblioteca da FCT-NOVA no Campus de Caparica.

A exposição Tribos reúne uma coleção de desenhos sobre a cidade e a globalização como resultado de um período da vida do artista marcado por sete anos de vida em Londres e de viagens pelo mundo e residências artísticas em lugares como Berlim, Madrid, S. Paulo e Taiwan.
No exterior, toda uma filosofia de ligação explode para um espetacular desenho espacial. Esta é sem dúvida uma nova forma de escultura transformada em instalação através do movimento.

A obra foi realizada com o apoio fundamental da IDEPA, empresa de referência no mercado das passamanarias, que assim tornou possível um trabalho desta envergadura. Para a empresa, a criatividade não é um acessório.

Palavras do curador, Mário Caeiro (investigador e docente na ESAD.cr)
Bruno Lavos Marques é, neste quadro, alguém que, por um lado, não abdica da cidade como médium fundamental para a afirmação da sua linguagem. Por outro, e num mesmo gesto, fala da cidade como sistema, explicita fragilidades no seu funcionamento, rematando o seu discurso com uma nota resolutamente positiva. Todo o realismo, nenhum pessimismo, e sobretudo a força imparável do saber-fazer – no caso, uma apurada técnica de desenho-instalado que transforma traços em espaços e territórios em imagens.

Palavras do artista, Bruno Lavos Marques

Eu sonho com um espaço aberto à experimentação, ao tato e à interação com o espetador.


"Global Village Beyond Venus"
Objectos encontrados, desenho e impressão digital sobre aluminium. 40(L)x43(P)x50(A)cm

Palavras de José Moura, diretor da Biblioteca da FCT-UNL.
Passaram quase 10 anos desde que o novo edifício da Biblioteca entrou em funcionamento no Campus da FCT-NOVA. Livros e acervos de diversos polos do Campus encontraram um espaço multifuncional... um espaço que encara o futuro com a perspetiva de uma Biblioteca de dupla valência… a Biblioteca no sentido mais direto do termo… e uma Biblioteca que, para além dos livros, acervos, lançou um vasto programa de atividades e criou uma interface cultural com quem vive na (e com quem passa pela) Faculdade. A sala de exposições e o auditório tornaram-se pontos centrais, onde múltiplos eventos aconteceram.

Naturalmente, este espaço procurou ser, também, uma “rampa” de lançamento para jovens artistas que, aqui, puderam encontrar espaços expositivos para as suas obras, produzir catálogos e criar públicos. A generosidade, criatividade e originalidade destes artistas tem oferecido um leque de propostas de ampliação das visões (e vivências) artísticas dos habitantes do Campus e da comunidade envolvente.


Mais sobre o artista e a obra (excertos do catálogo)
À primeira vista, a tradição artística na qual podemos inscrever o trabalho do Bruno Lavos Marques é relativamente recente. Mas este é ao mesmo tempo a expressão de uma sensibilidade para com o meio em que vivemos que reflete anseios profundamente antigos da humanidade: habitarmos o mundo.

Tanto a street art mais empolgante como a ‘arte urbana’ mais crítica são uma arte da rua, o imaginar e enformar da vida cívica exprimindo denúncias, ansiedades, utopias.

Com esta cada vez mais popularizada forma de arte, a criação tem-se tornado diálogo ensaiado no espaço público, quer com o vernacular e o comum, quer com o que, nos surpreendendo, nos devolve o prazer de sermos cidadãos – nos melhores casos, briosos das nossas biografias, ciosos das nossas opiniões, conscientes das nossas carências, empenhados na realização dos nossos desejos.

Por outro lado, se o movimento da arte urbana é, de uma forma geral, claramente ‘amigo’ da linguagem das ‘redes sociais’, flirtando com os ritmos comunicativos de instagrams e facebooks, urge considerar-se não menos válida a criação – mais complexa e, ao limite, contracorrente – de uma ampla sensibilidade estética para as ‘coisas do mundo’. A obra de Bruno Lavos Marques – the Artist Formerly Known as Bruno Jamaica – é nestes termos absolutamente específica (tem um estilo) e, simultaneamente, traduz uma ética artística com carácter universal na sua straighforwardness (até porque Bruno não é rapaz de grandes falas, preferindo as virtudes silenciosas da sua deriva íntima).

Com tudo isto diga-se que na sua obra – sim, é inequivocamente já de uma obra que se trata – a singeleza tática dos seus processos e materiais serve plenamente, e sem hesitações de qualquer espécie, um percurso generoso e desinteressado. Uma imaginação do tamanho do mundo.

Há quase dez anos atrás Bruno era um ilustre conhecido das Caldas (Escola, Cidade), cadinho de criação, laboração e inovação artística onde se notabilizou com a sua visão muito pessoal da land art: uma radical liberdade para relacionar ‘tudo com tudo’ através de um material – os elásticos esticados – que tornou sua, e de uma profícua atividade de desenho, tanto de pequena como de grandes dimensões, caracterizada por um carácter identificável, não longe de uma espécie de iconologia pictogramática low res. Este mix, continuamente apurado em Portugal e no estrangeiro, em muito diferentes contextos culturais, veio a definir-lhe um lugar absolutamente seu na competitiva cena da arte contemporânea.

O desenho naïf, a par de coloridas experiências em serigrafia – Bruno foi um irrequietíssimo editor durante a sua maturação na nossa Escola - o minimalismo conforme atualizado na floresta (ou nos vazios da cidade, o que vai dar ao mesmo!), as ações performativas a solo ou em grupo, sempre numa abordagem absolutamente pragmática da realidade mais próxima, têm feito do seu percurso uma contínua interpelação grafo-visual que nos seduz não por se colocar ‘em bicos de pés’ ou de parte (como faria um eremita), mas por demonstrar, na evidência do encontro convivial, que certas obras são bem mais públicas e nossas que tantas outras.

Foi precisamente esta capacidade comunicativa que se destacou na ambiciosa e, ao fim e ao cabo, provocatória intervenção de Bruno na Biblioteca da FCT-NOVA em 2008. Nessa obra, em que tive a minha primeira oportunidade para realizar a curadoria de uma exposição individual de um artista, vi o Bruno não apenas fazer um autorretrato de enorme resiliência ao simplismo com que encaramos os artistas, como ‘perturbar’ definitivamente o espaço com um gesto de tal forma retórico que perdurou na memória de todos. Bruno tornou-se uma das memórias mais queridas da Tate da Caparica, como lhe costumo chamar.

Por tudo isto foi bom voltar ao lugar do crime. Agora com a certeza de que toda uma estética se encontra plenamente desenvolvida, com a vantagem de ainda não se encontrar reificada como ‘maniera’. É que num meio conformado de citações, ironias e cinismos de câmara, Lavos Marques 
representa uma investigação paulatina e contínua cuja honestidade e humanidade apenas pede meças ao seu irrequietismo. Afinal que seria da arte (na Cidade) se não fosse compromisso, empatia, jogo e partilha?

Em suma, a nova exposição do nosso Bruno – como lhe chama o ‘nosso’ Moura – é ousada exploração de um lugar de excepção na margem sul da Capital, atravessando espaços exteriores e interiores com uma atitude determinada. É desenho, escultura, instalação e intervenção, e no entanto 
‘nada disso’ – pois não passa de um artista a riscar o mundo. A Universidade, palco do conhecimento, faça lá o favor de reconhecer que não há (ainda) equação que sintetize o poder desta imagem do possível.







Inauguração dia 14 Janeiro de 2016




  

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