A obra de Anabela Canas abre-se como um espaço de sensibilidade, onde a matéria inserida em paisagens, recriadas, está em constante transformação. Nesta exposição, cada obra transmite tensão entre gesto e intenção, presença e memória, como se cada forma guardasse vestígios de outras anteriores. Por isso, o seu trabalho aproxima-se da ideia de arquivo: um lugar onde a memória surge em camadas, feita de repetições, desvios e reaparições. Os detalhes não são apenas decorativos; funcionam como marcas de um processo construído tanto pelo que permanece como pelo que regressa. ... José Moura São rosas e não são. Como as que se aninharam no regaço da Rainha e outra coisa antes. E são líquidos os dias que se escoam desta realidade mutante – e nela - aos olhos que parecendo mãos, não a podem estancar no seu fluir permanente. Há qualquer coisa de hipnótico e em fuga na realidade fluida de um rio, repetitivo entre margens. Uma passagem que habita a vida e esta o olhar. ...